sexta-feira, 10 de outubro de 2008




Quando acendes esse monólogo
O tempo desintegra-se esfumaça-se
Abres a janela para esse teu pátio interior
Onde cospes o tempo



Buraco Negro



Tropecei e caí
O tempo deu um passo atrás
A luz ficou à porta receosa
Ou se entrou eu não a vi
O tempo esse sim, entrou, mas entropiou
A luz secou
E eu continuo a cair secamente, e cada vez mais lentamente

À medida que me aproximo do fim




Pulou e subiu
Subiu, SUBIU, SUBIU
Agarrou-se à carne
Que nem uma carraça
Agora é o teu animal de estimação
Agora és tu que procuras sedento
Cravar os dentes em qualquer coisa


segunda-feira, 6 de outubro de 2008




De repente acende-se
Coloca-se onde saem as palavras
Dá uma mão no pensar do tempo
E a outra ajuda o pensamento a passar




sexta-feira, 3 de outubro de 2008





Ando de mão dada com ele
Conhecemo-nos desde miúdos
E sempre nos demos bem
Faz-me companhia quando estou só
Ajuda-me a levantar o copo quando já não consigo
Acende-me os cigarros quando já não sou capaz
Mesmo quando não estou com ele
Ele está comigo
Em mim
Já nascemos assim
Gémeos siameses
Continuamos andar apoiados um no outro
Da curiosidade depressa cresceu uma amizade
Um ponto de apoio
Uma bengala
Um cigarro
Um copo
Um outro



terça-feira, 30 de setembro de 2008




No virtual a carne não pesa
Possível e impossível dançam
Ao som dos pensamentos
Numa união perfeita

Que só é quebrada quando é chamada a viver
O virtual é maior que o real
Mais abrangente
Traz consigo o possível e o impossível
Não tem ossos nem carne
Não é vergado pelo poder gravitacional

O virtual é tudo
O real_mente já perdeu espírito
A imagem é realmente espirituaficada

Perde-se na carne



quarta-feira, 24 de setembro de 2008




Ouço o Bom Dia apregoado pelos pássaros
Afundo-me à medida que os ouço cantar
O branco começa a entornar-se no meu quarto
Um novo dia liquidifica-se nas paredes que me protegem
E eu continuo a afogar neste colchão
O dia subiu e eu desço na noite
Adormeço deste acordar do mundo