sexta-feira, 17 de outubro de 2008
Foi preciso pegar num cadáver
Para a expressão peso morto, pesar
Um corpo só pesa quando levantado
Só se lhe toma o peso quando se é obrigado a erguê-lo
Por muito que lave esta nódoa, este cheiro não sai
Esfrego-me, esfolio-me
Mas cravou-se fundo na epiderme
Roço-me nas pedras, mas ela não se solta
Esta é para ficar na pele
Esta infiltrou-se na carne
Essa que tanto pesou
terça-feira, 14 de outubro de 2008
Embalo com o fechar dos olhos
Escorrego resvalo para a fresta do sonho
Revejo amigos falo com mutações deles
Aqui não há sequer limbo
É um antro onde toda a gente se junta
Onde tudo é possível
Ao fundo e desfocado sinto reconhecer alguém
Mas está diferente carrega outras gentes consigo
Acordo e não abro os olhos
Mas durmo com eles abertos
Para guardar a minha gruta
sexta-feira, 10 de outubro de 2008
Buraco Negro
Tropecei e caí
O tempo deu um passo atrás
A luz ficou à porta receosa
Ou se entrou eu não a vi
O tempo esse sim, entrou, mas entropiou
A luz secou
E eu continuo a cair secamente, e cada vez mais lentamente
À medida que me aproximo do fim
segunda-feira, 6 de outubro de 2008
sexta-feira, 3 de outubro de 2008
Ando de mão dada com ele
Conhecemo-nos desde miúdos
E sempre nos demos bem
Faz-me companhia quando estou só
Ajuda-me a levantar o copo quando já não consigo
Acende-me os cigarros quando já não sou capaz
Mesmo quando não estou com ele
Ele está comigo
Em mim
Já nascemos assim
Gémeos siameses
Continuamos andar apoiados um no outro
Da curiosidade depressa cresceu uma amizade
Um ponto de apoio
Uma bengala
Um cigarro
Um copo
Um outro
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